terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

REJEITOS RADIOATIVOS


BIANCA BORGES
JOLIENE MARQUES


RESUMO

Os primeiros métodos de tratamento surgiram durante a segunda guerra mundial. O interesse militar na tecnologia nuclear criou a percepção da necessidade no tratamento destes resíduos, criando critérios econômicos e eficazes ao tratamento dos mesmos. Os dejetos resultantes da atividade humana relacionados à radionuclídeos (materiais radioativos) em quantidades superiores aos limites estabelecidos por normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear são considerados rejeitos radioativos, é comum a expressão lixo atômico para referenciar estes resíduos. A sociedade fabrica e utiliza estes dejetos em clínicas médicas, hospitais, indústrias e centros de pesquisas internacionais, que as classificam em rejeitos de níveis baixo, médio e alto. Devido a suas características peculiares, todo material radioativo está sujeito a um rígido controle quanto ao seu gerenciamento. Por essa razão, todo material radioativo que é considerado rejeito deve ser recolhido, tratado e armazenado adequadamente em instalações especificas para essa finalidade.


PALAVRAS-CHAVES: Rejeitos radioativos, tratamento e CNEN




1. INTRODUÇÃO

Os primeiros métodos de tratamento de resíduos radioativos surgiram durante a segunda guerra mundial, devido a demanda urgente de materiais físseis; então o custo para o tratamento e disposição dos resíduos era um fator secundário.
Com o desenvolvimento do programa de aplicações pacíficas de energia nuclear – a tecnologia nuclear, apesar de suas diversas aplicações no campo civil, nasceu ligada a interesses militares. As primeiras pesquisas brasileiras na área nuclear foram realizadas na década de 30, mas foi a partir de 6 de agosto de 1945, com o ataque nuclear sobre Hiroshima, que o interesse sistemático por tal questão se concretizou no Brasil – tornou-se claro que o tratamento de tais resíduos como uma das várias fases do processamento de materiais radioativos, deve ser feito de maneira tão econômica e eficiente quanto possível e que o armazenamento por longo tempo só deve ser feito quando não houver alternativa.
Somente a partir de 1948 começaram a aparecer na literatura discussões sobre remoção de radioisótopos de águas residuais (teste).


2. REJEITOS RADIOATIVOS

Rejeito radioativo é qualquer material resultante de atividades humanas relacionadas a radionuclídeos (materiais radioativos) em quantidades superiores aos limites estabelecidos por normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear, de acordo com parâmetros internacionais, e para o qual a reutilização é imprópria ou imprevista. Comumente emprega-se a expressão lixo atômico como referência ao rejeito radioativo. A Comissão mantém, armazenadas em seus institutos, fontes radioativas em desuso, recebidas de clínicas médicas, hospitais, indústrias e centros de pesquisas. O transporte, o tratamento e o armazenamento desses materiais são realizados em consonância com os padrões internacionais de segurança recomendados pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

2.1. CLASSIFICAÇÃO DOS REJEITOS
Nestes critérios os rejeitos são classificados em três categorias de atividade:
Ø  Rejeitos de nível alto, gerados em diversos estágios do ciclo do combustível nuclear (fabricação de combustível nuclear, operação de reatores, reprocessamento de combustível nuclear);
Ø  Rejeitos de nível médio, gerados também em várias etapas do ciclo do combustível nuclear, em pesquisas, na indústria e medicina e;
Ø  Rejeitos de nível baixo, gerados em todas as atividades do ciclo do combustível nuclear (mineração e beneficiamento do minério de urânio, conversão, enriquecimento, reatores, reprocessamento, em pesquisa, nas aplicações médicas, na indústria etc.).


3. RECOLHIMENTO DOS REJEITOS RADIOATIVOS NO BRASIL
Devido a suas características peculiares, todo material radioativo está sujeito a um rígido controle quanto à sua utilização e posterior descarte. Por essa razão, todo material radioativo que é considerado rejeito deve ser recolhido, tratado e armazenado adequadamente em instalações especificas para essa finalidade. O Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), no estado do Rio de Janeiro, é a única unidade da CNEN autorizada a possuir um depósito intermediário para rejeitos de baixa e média atividade, prestando serviços de tratamento e armazenamento de rejeitos radioativos que possuam essas características. Este depósito atende preferencialmente os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, atuando, eventualmente, em outros estados da federação. 

Fig.1: O depósito intermediário do IEN guarda rejeitos de baixa e média radioatividade.

Os rejeitos de alta atividade, provenientes das usinas Angra 1 e Angra 2, são armazenados atualmente em depósitos temporários na própria Central Nuclear de Angra dos Reis (RJ). Mas uma das exigências feitas para a construção de Angra 3 foi a criação de um depósito geológico, então foi levantada a hipótese de transferir os rejeitos de Angra 1 e 2, para Abadia de Goiás, onde estão os materiais recolhidos após o acidente com o Césio - 137, em 1987, em Goiânia. Fato que está em discussão no Congresso, onde o presidente e o diretor da Comissão Nacional de Energia Nuclear foram chamados a prestarem esclarecimentos. Inclusive o assunto será tema de uma audiência pública na Câmara dos Deputados.
O IEN possui uma equipe especializada no gerenciamento de rejeitos radioativos, com a finalidade de orientar o recolhimento de rejeitos para esta unidade. Os rejeitos mais comuns recebidos pelo Instituto e que podem ser armazenados são:
3.1. FONTES RADIOATIVAS FORA DE USO
Toda fonte radioativa possui um tempo de vida útil, que está relacionada com a meia-vida do radionuclídeo que ela contém. Após esse tempo, a fonte é considerada rejeito radioativo e deve ser recolhida e armazenada em um depósito de rejeitos. Quando isto ocorre, a CNEN deve ser notificada para fins de controle e preenchimento de documentação pertinente. O transporte e recolhimento das fontes radioativas seguem as normas e procedimentos determinados pela CNEN–NE–5.01 encontrada no site da própria Comissão. (disponível em: www.cnen.gov.br)

Rejeitos como papel, tecido, luvas, plástico etc., contaminados por material radioativo são tratados pela técnica de redução de volume. No IEN esses rejeitos, provenientes dos seus laboratórios e instituições externas, são compactados diretamente dentro de tambores metálicos de 200 litros, obtendo-se um fator de redução de 5 para 1 a 7 para 1. O armazenamento dos rejeitos tratados é feito no galpão de depósito intermediário nas dependências do Instituto, até a implantação do repositório definitivo da Comissão.

A fabricação de pára-raios no Brasil foi autorizada no período de 1970 a 1989, na época estudos indicavam que este tipo de pára-raios era mais eficiente que os pára-raios convencionais. Posteriormente, testes mais detalhados indicaram que não havia diferenças entre seus desempenhos, não se justificando, portanto, a sua utilização. Por essa razão, a CNEN suspendeu a autorização para a fabricação e instalação de pára-raios radioativos.
Mas a decisão sobre a substituição dos pára-raios radioativos já instalados depende das autoridades municipais competentes. Nas cidades de Rio de Janeiro e de São Paulo, por exemplo, as prefeituras determinaram que todos os para-raios radioativos sejam substituídos e enviados para os depósitos da Comissão.
Normalmente, pára-raios e detectores de fumaça que utilizam material radioativo contem amerício (Am-241) ou rádio (Ra-226). Os materiais radioativos empregados nestes para-raios são retirados em células especiais de desmonte e armazenados de forma segura, no depósito de rejeitos. Devem ser tomados certos cuidados em relação a embalagem, transporte e entrega de para-raios e detectores de fumaça ao IEN como:
3.3.1.     Pára-raios
Deve-se remover o pára-raios da haste usando a luva (fig. 2), colocar o pára-raios no saco plástico, descalçar a luva, colocá-la no saco plástico (fig. 3) e lavar as mãos com água e sabão, fechar o saco com fita adesiva, colocar o saco na lata (fig. 4) e encher os espaços vazios com o material de enchimento. Cada lata pode conter somente 1 (um) pára-raios. Para entregar o pára-raios no IEN é necessário agendar a entrega, com pelo menos cinco dias de antecedência. A documentação que deverá ser entregue pode ser obtida no site do próprio Instituto, sob a identificação de Anexos A, B e C.(disponível em www.ien.gov.br)

 
                                 fig. 2

fig. 3

Fig. 4
  
 
3.3.1.     Detectores de Fumaça
Deve-se colocar o (s) detector (es) de fumaça no saco plástico, descalçar a luva, colocá-la no saco plástico (fig.5) e lavar as mãos com água e sabão, fechar o saco com fita adesiva, faixar o rótulo "MATERIAL RADIOATIVO" no saco, de modo que o rótulo esteja visível quando da abertura da embalagem, colocar o saco na lata e encher os espaços vazios com o material de enchimento. Cada lata poderá conter o número de detectores de fumaça que não comprometa a integridade física da mesma e permita seu fechamento seguro e fechar a embalagem (fig. 6). Para entregar o detector de fumaça no IEN, os tramites são os mesmos que a entrega de pára-raios. 




fig 5.                                                                  fig 6.

3.4. FONTES SELADAS
As fontes seladas são aquelas que estão dentro de um aparelho fechado, um exemplo: os raios-X. Nos processos com fontes radioativas seladas, o radioisótopo Cobalto – 60 ou Irídio – 192 (fig.7), apresentam-se hermeticamente fechados em uma cápsula metálica de aço inoxidável, não estando em contato direto com o meio externo. (fig. 8)



 Fig. 7: Aparelho de gamagrafia industrial projetado para operação com Ir – 192